INEGI - CETERM   O Inegi e a Energia Eólica


A energia eólica tem conhecido um grande desenvolvimento nos últimos anos. De facto, o crescimento da indústria ligada a esta forma de energia tem sido, em alguns países, equiparável ao de tecnologias de tão grande expansão como, por exemplo, os telefones móveis.

A Europa é hoje a maior zona de implantação deste tipo de energia, tendo ultrapassado claramente os Estados Unidos da América onde, na década de 80, se tinha desenvolvido mais rapidamente. Países como a Alemanha, líder mundial, a Dinamarca ou, mais recentemente, a Espanha, apresentam taxas se crescimento da potência instalada muito significativas. A potência instalada a nível mundial já ultrapassou os 7000 MW.

Em Portugal, a tecnologia chegou mais tarde mas, dos 8 MW instalados até 1996, maioritariamente nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, passou-se rapidamente para os 51 MW hoje instalados. A existência de um grande número de empresas interessadas em instalar parques de aerogeradores leva a pensar que este valor possa a vir a aumentar nos próximos anos.

A União Europeia tem adiantado como objectivo um valor de 40000 MW instalados até ao ano 2010. Organizações ambientalistas como a Greenpeace vão bastante mais além. Em Portugal, apesar de não terem sido apresentados quaisquer valores, existe a garantia governamental de criar um tarifário para a compra, pela EDP, da energia produzida em parques eólicos ou outra forma de energia renovável, de modo a incentivar os produtores independentesde electricidade a apostarem mais fortemente nestes tipos de energia. O Programa Energia apoia estes projectos através de um financiamento a taxa zero.

O INEGI tem, há já alguns anos, desenvolvido várias acções destinadas a incentivar e apoiar o surgimento de projectos na área da energia eólica. O envolvimento em projectos de investigação de âmbito nacional e europeu, permitiu iniciar campanhas de medição das características do vento em diversos locais da zona Norte e Centro de Portugal que, através do conhecimento aí adquirido, levou ao aparecimento de empresas interessadas na instalação de parques eólicos.

Muitas destas empresas têm recorrido ao INEGI no sentido de esta instituição levar a cabo campnahas de medição e os respectivos estudos de avaliação do potêncial eólico disponível. A rede de estações meteorológicas operadas pelo INEGI foi, assim, crescendo até aos cerca de 80 locais de medição.

Dessa colaboração entre o INEGI e os promotores resultaram já três parques eólicos de 10 MW cada: Parque Eólico de Fonte da Mesa, Parque Eólico de Alto de Vila Lobos e Parque Eólico de Pena Suar.

O INEGI possui assim uma vasta base de dados própria, bem como um conhecimento bastante amplo da distribuição dos recursos eólicos, principalmente nas regiões Norte e Centro de Portugal. Esse conhecimento tem sido posto à disposição das empresas interessadas através do estabelecimento de protocolos de cooperação, com base nos quais têm sido levadas a cabo as campanhas de medição.

A experiência adquirida pela equipa do INEGI, tem permitido desenvolver técnicas de utilização das ferramentas existente, que permitem minimizar as dificuldades habitualmente associadas à caracterização dos recursos eólicos em terreno complexo. A participação em conferências nacionais e internacionais e a publicação de diversos artigos tem sido uma forma de enriquecer o conhecimento e as metodologias utilizadas.

O protcolo habitual compreende a instalação de equipamento e a sua manutenção, a recolha dos dados e o seu tratamento posterior, e a elaboração de relatórios de caracterização dos recursos eólicos. Nesses relatórios, além de uma breve análise dos resultados das medições, procura-se fazer a caracterização do potencial através da apresentação de mapas de recursos, rosas dos ventos, histogramas da distribuição da velocidade do vento e outros gráficos considerados relevantes.

Têm ainda sido realizados estudos mais detalhados de avaliação do potencial eólico, nomeadamente destinados à candidatura a programas de financiamento como o "Programa Energia". Nesses estudos, é normalmente desenvolvida a caracterização do recurso disponível procurando, com todos os meios e dados de que se possa dispor, obter a informação sobre a valia da área, fazendo as extrapolações, comparações e correlações necessárias no sentido de se obter a caracterização do recurso eólico no local por um período que, tanto quanto possível, deverá aproximar-se do "longo termo". Para tal poderá ser possível utilizar dados recolhidos em outras estações, operadas no âmbito de projectos oficiais (financiados com dinheiros públicos), quer a expensas de privados, desde que obtido o consentimento expresso destes. Tenta-se ainda nestes estudos analisar com mais pormenor a localização, dimensão e configuração do parque eólico, bem como testar diferentes aerogeradores, diâmetros do rotor ou alturas das torres. A análise da variabilidade anual, da fiabilidade das previsões e a diferenciação da produção de electricidade segundo o tarifário em vigor são outros pontos habitualmente tratados neste tipo de estudo.

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