Numismática

 

Comecei a coleccionar moedas em 1979 quando, ao regressar de um estágio na Roménia, trouxe comigo cerca de 200 moedas diferentes de vários países. Inicialmente, fixei como objectivo para a minha colecção conseguir pelo menos uma moeda de cada país ou território do mundo, que cunhasse moedas. Atingido esse objectivo, anos mais tarde, orientei a minha colecção no sentido de reunir moedas que pela sua beleza, significado histórico ou originalidade, me tocassem particularmente.

Hoje, orgulho-me de possuir um conjunto de moedas capazes de impressionar mesmo aqueles que não sentem especial interesse por coleccionar tais objectos. São alguns deles que me proponho mostrar nesta secção da minha página.

Quando ouvimos falar de moedas, pensamos invariavelmente nas rodelas de metal que usamos diariamente para pagar o jornal, o café (bica, em crioulo sulista) e ... pouco mais, hoje em dia! Mas, não foi sempre assim!

Origens

Do ponto de vista da civilização ocidental, a moeda, tal (ou quase) como a conhecemos, foi inventada no séc. VII a. C., na Lídia, um território da região ocidental da Ásia Menor, hoje pertencente à Turquia, mas nesse tempo sob influência grega. As primeiras "moedas" foram cunhadas de electro, uma liga de ouro e prata que ocorre naturalmente na região.

O seu aspecto pouco difere da moeda ao lado representada, da mesma Lídia, mas do séc. VI a. C.. Trata-se de 1/2 stater de prata, do reinado de Creso (560 - 547 a. C.), rei famoso pela sua riqueza e que deu origem à expressão "rico como Creso". No anverso, apresenta uma cabeça de leão em frente de uma cabeça de touro e, no reverso, marcas de punção.

No Oriente, praticamente em todo o Indo-Pacífico, durante milénios, houve um objecto natural usado como moeda: uma concha da família das cipreias (CYPRAEIDAE), apropriadamente designada por Cypraea moneta.

O seu uso estendeu-se posteriormente (já no segundo milénio a. C. tinha essa utilização) por toda a Ásia meridional, a África e mesmo a América. Cristovão Colombo, acreditando que teria de negociar com indianos, levou essa moeda que sabia que era de uso corrente nas Índias.

Mesmo na nossa era, a sua utilização sobreviveu no Senegal, Nigéria e Congo, ainda que fortemente contrariada pelos governos. Contudo, antes da II Guerra Mundial, ainda era possível comprar por 50 000 conchas uma bela jovem esposa-escrava no mercado de Zanzibar!

Por volta de 600 a. C., ferramentas de bronze, tais como enxadas e facas, eram usadas na China, como moeda. A normalização deste tipo de dinheiro, sob a forma de peças estilizadas de tamanho reduzido, de bronze, correspondeu a uma invenção independente da moeda metálica.

Não só as formas eram diferentes, como também o processo de fabrico. Enquanto as moedas de Lídia e as emissões europeias a partir delas desenvolvidas eram batidas com cunhos, as moedas chinesas eram fundidas em moldes.

 

Em meados do séc. III a, C., dependendo da região da China, eram usadas como moeda imitação de facas, de enxadas e de cipreias. Por volta da mesma data, começaram a ser utilizadas moedas redondas com um furo quadrado no meio.

O uso dos vários tipos estendeu-se por séculos. Assim, por exemplo, a minha faca é de um período entre 600 e 100 a. C., a enxada é do período Wang-Mang (7 - 23 d. C.) e a moeda redonda é um "cash" de 1736-95, de latão fundido, da província Hupeh, período imperial.

A utilização deste tipo de moedas estendeu-se aos países vizinhos e manteve-se durante séculos. Por exemplo, o "feijão" japonês bean gin, de prata .135, ao lado representado, parece uma moeda muito primitiva, mas data apenas de 1859-65, era Ansei.

Analogamente, esta moeda de cobre fundido de 100 Mon (Tempo Tshuho), também do Japão, é apenas de 1835-70.

Em todo o caso, mais cedo ou mais tarde, dependendo da região do planeta, a técnica de cunhar moedas usando rodelas metálicas entre dois cunhos, acabou por se impor.

O que não impede que, por razões comerciais e, sobretudo, para cativar os coleccionadores, as casas da moeda não façam excepções, como é o caso desta moeda de Andorra, de 1984, com o valor facial de 1 diner (igual a 100 pesetas, de 1983 a 85, e 125 pesetas depois de 1986). O Standard Catalog of World Coins, editado pelas Krause Publications, refere que se trata de uma moeda fundida numa liga de cobre e zinco (note-se que o latão é justamente uma liga desses dois metais!).

 

Gostou? Veja o que tenho mais para lhe mostrar nesta secção:

Índice da secção Numismática:

Formas

Pensava que todas as moedas eram redondas? Claro que não! Mas, sabia que existem moedas poligonais, de bordo ondulado, furadas, etc.? E sabia que as moedas poligonais podem ter desde 3 até 13 lados!? Dê uma espreitadela.

Metais

Claro que sabe que há moedas de ouro, prata e cobre, ou bronze. Mas, sabe que também há moedas de zinco, estanho e até de ferro? E também de platina? E o paládio, sabe o que é? Faz ideia da quantidade de ligas diferentes que se usam para fazer moedas? Veja o que tenho sobre o assunto.

História ilustrada por moedas

Imagine figuras históricas como Alexandre da Macedónia, Júlio César, Marco António, Carlos Magno, Genghis-Khan, Henrique VIII, Napoleão e tantos outros. Veja as moedas que se usavam nos seus tempos!

Inovações

Sabe o que é acabamento proof? E sabe que há moedas coloridas e até com hologramas? E uma moeda preta, já viu? Não! Não é uma moeda de cobre já muito usada! Mesmo preta! Conhece as moedas bimetálicas (usa-as todos os dias). Mas, conhece as trimetálicas?

Curiosidades

Já viu ou ouviu falar de moedas carimbadas? E moedas feitas com um selo de correio colado em cartolina? E moedas uniface? Veja algumas curiosidades que consegui reunir e que aqui lhe mostro.

 

Todas as imagens desta secção reproduzem moedas minhas e foram digitalizadas directamente (i.e., simplesmente pousadas sobre a janela do scanner) por mim. Todos os direitos de utilização destas imagens estão reservados.

Ó 2002-2004 Franclim Ferreira.

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